Versão II (São Paulo)
Versão II (Agora não é Sobral Paradise descobri pela TV que São Paulo é melhor)
Será São Paulo um paraíso que ainda não descobri???
Terá sido seu território vendido ou leiloado para alguma nação, destas que seus cofres quase não cabem mais moedas e seus continentes parecem afundar ao mar de riqueza? Pátria estas com extremas ambições de conquistar outra vez o continente americano cone Nordeste? Dúvidas me passam nesta cabecinha que só faz rir. Não reconheço mais a Praça dos Bandeirantes. Avenida Paulista será que ainda existe? A Consolação e suas vitrines triunfais que parece unir o seu passado glorioso ao seu presente fictício? Seus prédios parecem ligar o inferno ao céu, a arrogância ao preconceito. A 25 de Março ainda estará íngreme, majestosa, e ainda do povão? A terra da garoa já não é a mesma. Eis, sim, uma ilha em meio às misérias que cercam olhando com toques de pudor. Vou-me embora pra Pasárgada, ou melhor, pra São Paulo, eis um paraíso em meio ao português falado, eis um oásis que faz sonhar um barco seco no deserto, lá o Rei quer dominar o mar e os peixes a se vangloriar das iscas, eis que o Deus mora lá. Lá as Putas da Augusta bebem Black e correm nuas a beira do asfalto se escondendo dos prédios e vendendo gorjetas. Vo-me embora pra São Paulo, lá não sou amigo do Rei, mas viverei como Rei, cheirando o Rio Tiete e vomitando no Rio Pinheiros. Lá terei influência no reinado, beberei do vinho do senado. Aqui? Aqui, não sou feliz não. Lá andarei de Mercedes importada, terei do bom e do melhor. Sonharei em conquistar a América amaldiçoada e serei sim, serei sim, o próprio tempo. E se algum momento por ventura estiver cansado mergulharei nas águas da Marginal do Tiete, desviando dos dejetos e das cédulas de dinheiro. E outra vez a mãe-d’agua surgirá, doente, abatida, cansada, reinará sobre os águas-pés e me contará histórias de um médico metido a cirurgião de retalhos engasgado pelos retalhos que o conduz. Lá é outra civilização, sofisticada, moderna, impetuosa que nem o último software a sair do forno mágico do Vale do Silício. Vo-me mesmo embora pra São Paulo. Lá o processo é mais seguro, praticamente não há ladrões pedindo esmolas, armados de canhões a laser, e o povão ainda acredita no pedestal da imprensa. As prostitutas são mais atiçadas e dinheiro é na mão. Pra que ficar aqui se as pessoas lá são mais medíocres? Vo-me sim. Pegarei hoje rumo ao Itinerário da BR 116.
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