..:Orgias de Pensamentos Adversos:”

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Fantástico mundo de invenções do Iguatemi.

            Muito me frustra ver a televisão, e seu alcance perante a sociedade civil, sendo usada para macaquear grosseiramente uma coisa tão séria que é a exploração imobiliária e sua devastação no Mangue do Cocó. Muito me frustra ver um comercial fadigado e agressivo na mídia a dar a versão sem compromisso do “Grupo Iguatemi” a tamanha repercussão da construção do Iguatemi Empresarial em local irregular. De uma coisa tenho a convicta certeza: a reivindicação da opinião pública cearense está surtindo efeitos. Gastar alguns mil reais fazendo filme, contratando agência publicitária e comprando espaço nobre na televisão cearense para se explicar a população sobre o Iguatemi (repito: o maior símbolo da devastação do Parque do Cocó) e o estuário do Cocó foi realmente à última do último resquício de pingo que faltava, para de fato, a sociedade organizada de Fortaleza engolir as ruas e ir atrás dos seus direitos – defender a sua única área verde de codinome Cocó e sua fonte inesgotável de biodiversidade.

            Publicidade bem produzida, cara, de cinema, no entanto, mentirosa igual aos filmes americanos. Mas, que golpe cinematográfico! Aproveitando-se da semana comemorativa do meio-ambiente foi uma estratégia armada para aterrar cada raiz decapitada do Mangue concebida pelos Deuses e não por um grupo econômico que apenas visa o dinheiro a qualquer custo. Propor subliminar a idéia de que o Estuário do Cocó foi construído pelo Iguatemi, desculpa leitor, mas é demais. Parecem brincar com a inteligência da população. Pergunto onde estão os promotores a proibir tamanho desrespeito ao povo cearense. Cadê a ética publicitária? O Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Publicitária tem que funcionar neste caso. Cadê os promotores a ficar furiosos com toda a seiva do mundo e ir à imprensa para tirar esta publicidade caluniosa para com toda comunidade de Fortaleza?

            Senti-me como um verdadeiro idiota a ver na TV, em intervalo Global, o anúncio constrangedor do grupo iguatemi (em minúscula porque nem maiúscula merece ficar). Relembrando o “último Pingo D’água que faltava” do dia 31 de maio: “A história da luta contra os enfermos irredutíveis do Parque do Cocó deu seu início no ano de 1977. Passou-se dez anos até a sociedade ativa de Fortaleza conseguir reivindicar junto aos setores públicos a preservação do estuário do Cocó. Tendo em base na Lei Federal N° 6.902, de 27/04/1981, que dispõe sobre a criação de estações ecológicas e áreas de proteção ambiental, foi criada em 1986 através do Decreto Municipal N° 7.302 da Câmara de Vereadores de Fortaleza, a Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Cocó. Área que prioriza toda a bacia hidrográfica do rio da capital cearense. Para implantação do Parque Ecológico do Cocó o governo do estado demarcou uma área de 1.155,2 hectares, que foi declarada para fins de desapropriação. E com o decreto N° 20.552, de 05 de setembro de 1989, delimitou a primeira etapa do projeto”. Na publicidade mentirosa da TV fala que o Iguatemi foi construído na década de 80. Então não existia o mangue do Cocó antes disso? Tudo foi plantado, executado e concebido pelo Iguatemi? Se em 1977 começou a história da luta para proteger o Cocó fico a imaginar há quanto tempo os inimigos da cidade atuam aplicando golpes descaradamente na população cearense e no seu ecossistema? Querem encerrar o caso Cocó com esta publicidade barata e vazia. Não sou otário, você é?

Por Tiago Viana.

Junho 4, 2007 - Publicado por tayguara | Uncategorized | | Sem comentários ainda

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