Volta do SALIPI 2007
Acabo de chegar do SALIPI 2007 (Salão do livro do Piauí), realizado no Centro de Convenções de Teresina. Nestes encontros sempre há uma troca de percepções agudas entre leitores, produtores e autores. A produção local fica toda exuberante na vitrine a mostrar o que é, pra que veio e quem faz. Ficar isolado, confinado sobre muralhas, espremido entre o Maranhão e o Ceará, isolado ao mundo, pensamento individual em uma coletividade restrita, apenas faz impedir que a auto-estima tão baixa do povo piauiense celebre a sua mudança, há tempos aguardada, que tanto merece se elevar. Isolar-se as grades do bairrismo estúpido do passado e a efervescência do presente não irá fazer renascer a pulsante cultura do Piauí no seu devido lugar de destaque que é para ocupar. Faz-se necessário o intercâmbio com outras nações culturais. Bairrismo em meio à interpelação cultural de estados vizinhos é querer decepar um corpo que se é erguido como num todo, cultivado com luta, gritos e dor. Lá no subsolo dos subsolos há uma união sem estado, sem nação e de um povo só. Há uma ligação entre as raízes e, afinal de contas, lutamos com a mesma bandeira de que se leia mais neste país de boicote as letras. Ficar aos uivos da separação e se isolar ao seu mundo próprio faz insistir na permanência dos erros, faz voltar e estagnar ao esquecimento no Brasil de imêmore. A auto-afirmação não é de hoje que se dá com bairrismos medíocres. O mestre Patativa do Assaré teve que sair da sua terra natal para poder publicar seu primeiro livro (que por sinal foi o Crato-CE que o acolheu), Luis Gonzaga teve que ir ainda mais longe, ao sudeste do Brasil, para poder ser o Rei do Baião, porque então não poderia ir até o Piauí, e não ao sul maravilha, e mostrar o meu humilde trabalho? Acuado fiquei. Único escritor cearense em meio às feras letradas do Piauí. Alguns bairristas encapuzados presentes a sala de bate-papo com o autor. Que pavor! Mas, minha ligação com o Piauí vem de muito antes. O primeiro autor, que um dia sonhei a fazer o primeiro prefácio para um livro meu foi o mestre Assis Brasil. Até cheguei a enviar uma carta convidando para conhecer, e caso gostasse, providenciar um prefácio para o romance, Individuais, carta esta que nunca foi respondida. As lendas do Piauí me chamam atenção. Desperta-me para uma coisa: como morar vizinho a um estado rico de letras e causos e não conhecer seus autores vivos e atuantes? Como não conhecer um guerreiro Cineas Santos, Um apaixonante Luiz Romero, um lutador Ytalo? Talvez porque a proposta de cultura embutida neste mundo de conceitos determinados seja esta mesmo de bairrismos ridículos que muitos até hoje defendem com unhas e berros, cada um é o rei do pedaço e não interessa ver, ler ou escutar os reais vizinhos de sangue, que pensamento mesquinho, pequeno. Conhecer os adjacentes da cidade, do estado e dos estados vizinhos se faz bem ao movimento das letras, das idéias. A prata da casa tem realmente que ser valorizada a ouro seja aqui em Fortaleza, lá no Piauí ou em qualquer lugar do mundo. Agora se isolar achando que a independência autoritária valorizará em dobro os artistas e talentos locais é uma piada de péssimo gosto. Isolamento este de ir e vim, mão dupla, não contribuirá em nenhum ponto para a consagração e afirmação da auto-estima do povo piauiense. No SALIPI fui tratado como um astro. Não por merecer. Mas, escritores têm realmente que serem os astros desta sociedade que prefere inverter valores. Não por mim, mas pela necessidade da visão aguçada e da percepção de mundo a dividir com todos. Afinal a escrita é o maior show do universo. Repito: se até o mestre Luís Gonzaga e o divino Patativa saíram de suas terras para alguém lhe dar valor, porque então, não poderia sair, não para o destemido sul ao mapa, mas para as raízes profundas e aguçadas das bandas do Piauí? De parabéns o mestre Cineas Santos que acolheu surpreendente os meus modestos escritos e batalhou para a realização do 5° SALIPI, conduzindo-o como um verdadeiro herói. De parabéns o também mestre Luis Romero por dar o ar da rouquidão de sua voz a direção literária nas rotas do Salão, por incentivar autores novos como eu, por sonhar maior que as cabeças de cuias do bairrismo, a ficar sempre no esquecimento. De parabéns todo povo do Piauí por fazer um salão do livro de forma tão espontânea, pedagógica e natural. Servindo de exemplo, de modelo para muitas bienais do Livro de todo o Brasil. Peço meus singelos agradecimentos à organização do evento por ter dado a oportunidade única de ter ido mostra meu trabalho aos piauienses, ausente do terror do bairrismo estúpido. Não é dando o troco que se faz o correto. Saiu de Teresina mais convicto ainda que as letras são as armas mais poderosas de todo o mundo. Tiago Viana 10/06/2007.
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“De parabéns o também mestre Luiz Romero por dar o ar da rouquidão de sua voz a direção literária nas rotas do Salão, por incentivar autores novos como eu, por sonhar maior que as cabeças de cuias do bairrismo, a ficar sempre no esquecimento. ”
Achei linda a forma que usou as palavras p/ falar desse homem que com certeza é inesquecivel àqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Luiz Romero foi meu professor por 4 meses e conseguiu mudar meu jeito de pensar e de ser. Sou imensamente grata a ele por tudo que consegui aprender nesse periodo.
Tenho certeza que todos que conheceram ele não deixaram ele ficar no esquecimento… um dia ainda teremos uma biblioteca publica em teresina c/ o nome Prof. Luiz Romero Lima…
Abraços. Seja sempre bem-vindo ao Piauí!
“De parabéns o também mestre Luiz Romero por dar o ar da rouquidão de sua voz a direção literária nas rotas do Salão, por incentivar autores novos como eu, por sonhar maior que as cabeças de cuias do bairrismo, a ficar sempre no esquecimento. ”
Achei linda a forma que usou as palavras p/ falar desse homem que com certeza é inesquecivel àqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-lo.
Luiz Romero foi meu professor por 4 meses e conseguiu mudar meu jeito de pensar e de ser.Sou imensamente grata a ele por tudo que consegui aprender nesse periodo.
Tenho certeza que todos que o conheceram não deixarão que ele seja esquecido… um dia ainda teremos uma biblioteca publica em Teresina c/ o nome Prof. Luiz Romero Lima…
Abraços. Seja sempre bem-vindo ao Piauí!