Editorial: A Evolução da Ditadura no Brasil
Ser ditador no dicionário Aurélio: “aquele que concentra todos os poderes do estado. Ditadura: forma de governo em que todos os poderes se enfeixam nas mãos dum grupo, duma assembléia, dum partido político, ou duma classe, qualquer regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais”. Partindo do princípio de ditador e ditadura, chegamos aos meios de comunicação de massa e sua forma de trabalhar as mentes das pessoas. Tenho a sapiência de que se liga a televisão quem quer, troca de canal que pode, mas ninguém é obrigado a engolir a tarefa real dos meios tradicionais de comunicação que é sustentar a forma de dominação do sistema existente. Cada emissora de TV corresponde a uma forma de ver o mundo, o problema é quando as principais emissoras, as mais assistidas, formam uma espécie de cartel de pautas e interesses comuns a serem comunicados. Para começar não existe uma divisão de bens com a população dos instrumentos que levam uma pessoa comum ser “dono” de uma concessão pública com direito de colocar no ar uma TV ou uma emissora de rádio. É uma concentração de emissoras sem precedentes, nas mãos de meia dúzia de famílias brasileiras, capaz até se contar nos dedos das mãos. Famílias estas donas de impérios de comunicações, tendo mais de uma emissora de TV, rádios, jornais, revistas e agora querendo impor a Internet. As elites de todos estados dominam os meios de comunicação em cada estado brasileiro, as redes televisivas, geralmente no sudeste brasileiro, são responsáveis por orquestrar este poder que parece ser eterno, uma tirania que passa de geração a geração. Desta forma já se exclui quase toda população. Nem o ato de se colocar uma televisão é democrático. Há muitos empecilhos, e até parece que é preciso ser político, empresário ou parente de algum político para ter as concessões ao alcance, em outras palavras por que será que o tom político anda de mãos dadas com a mídia? Só por este motivo já poderíamos taxar os “donos” das mídias de ditadores ou o próprio sistema que é condicionado a esta exclusão de negócios.
A TV deveria ser um negócio social, já que invade o ar e penetra em todos os cômodos das residências sem pedir licença. Na realidade a TV é um grande negócio de interesses individuais de grupos econômicos. Isso sem contar ainda com a mídia e seu poder de exclusão das informações. Manipulações sempre vão existir, é impossível fugir delas, mas existem manipulações puras e as obscuras. As puras e recomendáveis são aquelas pensadas para uma grandiosidade maior de toda uma coletividade. O contrário, a ser pensado apenas por interesses de grupos políticos ou econômicos para defender suas causas e reivindicações é extremamente nociva a sociedade em sua totalidade. Mas, como saber se a manipulação de conteúdo é saudável ou não? Saber se esta sendo para o interesse coletivo ou não? Esta é a dificuldade, porém, não impossível de ser identificada. O ideal era uma educação de base que transmitisse este poder de identificação da percepção social dos meios de comunicação na população. Mas, a confiabilidade do cidadão para com o conteúdo da mídia é a sinergia que impulsiona a ditadura nos meios de comunicação acontecer. Quem decide o que interessa ou não para as pessoas assistirem? A TV é apenas parte da realidade. As causas e conseqüências disso é a sociedade se questionar até que ponto isso influência sua vida e como podemos transformar a realidade para o bem comum da comunidade em geral. Se os meios de comunicação de massa se acham conviver numa democracia real, longe das ditaduras, distante de ditadores, pergunto aos orquestradores de lares: Que mídia é esta que sufoca pluralidade e suprime pensamento crítico? Que mídia é esta que se auto-proclama formadora e porta-voz definitiva da “opinião pública”? Que sufoca a pluralidade de visões? Que esta nas mãos de poucos grupos familiares e políticos? E suprime o pensamento crítico do debate nacional? Isso é democracia? Ou se trata de uma evolução da ditadura? A maior rede de televisão do país nasceu e cresceu dentro de uma ditadura, talvez esta época saudável para esta emissora tenha reflexos até hoje no modo de como a classe dominante trata a nação, em seus conglomerados de comunicações, onde a arrogância, o preconceito, a “justiça” imposta e não julgada por aqueles que têm o direito de julgar prevalece em sua programação. Meritíssimos estes que começam a se tornar vedetes da mídia, tornando-se assim um perigo sem precedentes porque a mídia faz o julgamento público e o acusado já chega julgado aos juízes celebridades, ficando assim, os magistrados reféns do julgamento inapropriado e imoral da mídia. Isso é democracia? Querendo impor a passividade do telespectador apenas receber conteúdo e não questionar a tentativa de impor a “verdade” dos meios de comunicação para o povo brasileiro. Para elite brasileira quanto mais o povão acreditar e ir de encontro ao que a mídia anuncia e defende melhor para acumular e se manter no topo do poder, a dominação fica mais fácil. A TV é o eletrodoméstico mais popular no Brasil. A crítica a mídia deveria se popularizar também, desde questionar quem são seus comandantes até discutir o que ser visto, para que aquele jornalista falou aquilo. Abrindo de vez a caixa preta dos meios de comunicação. Porque quem controla os instrumentos da comunicação não pode jamais controlar os conteúdos das informações e muito menos o fluxo dos conhecimentos. Jornalistas são apenas comunicadores e não os orquestradores da situação nacional. Questionamentos que deve se começar na mesa de casa, e seguir para os bares, as escolas, as igrejas, os trabalhos, todos os dias da semana, e não apenas saber qual é a última moda da novela. A sociedade civil deve ser o atuante protagonista nesta mudança. Legitimando as intensas finalidades humanas, que sirvam a sociedade. A grande revolução terá que passar pela TV. E não venham os manipuladores de plantão, os prostitutos-jornalistas, por conta do debate público, diante a questão de saúde que é a mídia e seu poder, tentar ressuscitar o papo que isso se trata da defasada censura, é sim apenas um passo para se chegar à democracia plena.
Além da falta de democracia em seus atos, a mídia também se torna refém dos números das pesquisas do IBOPE. Desta forma pode cobrar favores maiores à medida que os números do IBOPE forem mais altos, tornando-se, assim, reféns de anunciantes de conglomerados da indústria, do comércio e de serviços. Podendo estes anunciantes influenciar no conteúdo da mídia, pois a instituição que pagou pela publicidade pode mercantilizar estas substâncias da informação ao seu favorecimento. Fragilizando de vez a tal da democracia esplêndida que muitos dizem que vivemos no Brasil. Demandas de mercado que de certa forma prejudica a comunicação séria dos meios de comunicação. São apenas seis redes de televisão que juntas somam 95% da audiência brasileira, e detém 90% dos recursos da publicidade no Brasil. Programas de entretenimento são deprimentes, um risco vital para sociedade, com demonstrações reais de como as ideologias de dominação da elite se passa despercebido e é aceito pelo público em geral, é captada de forma clara, ausente de dores. O que deve estar por detrás das mensagens das novelas, dos filmes, dos jornais? Mais um instrumento da evolução da ditadura branca no Brasil.
Desmercantilizar e assim democratizar, sobre todos os aspectos, os meios de comunicação de massa se torna indispensável para uma democracia íntegra. A mídia é essencial para redemocratizar o país. A diversidade tem que ter seu espaço obrigatório, a mídia tem que deixar de ser a intermediária entre o governo e a opinião pública, entre grupos econômicos fortes e o povão. O governo Federal precisa deixar de destinar verbas públicas de publicidade de grandes estatais para sustentar os grandes impérios midiáticos do Brasil, ou que pelo menos os meios de comunicação de massa repassem parte dos seus lucros para dar sustentabilidade aos meios de comunicações comunitárias, não se trata de concessões públicas? Isso sim é democracia. O povo já paga o bastante para receber uma informação deturpada e banal de obscuros interesses políticos, sociais e econômicos do que há de mais nojento neste país, sua elite.
By Tiago Viana™ .
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