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80 anos, nossa Crítica ao Jornal O Povo

80 anos, nossa Crítica ao Jornal O Povo

Oitenta anos a imprimir histórias gravadas em resmas de papéis frágeis. Oitenta anos de fontes de tinta preta a encobrir o quase branco papel frágil. Na magnitude da junção das letras a falar dos dias, a importância de se contar a vida, a existência coletiva. Da impressão conflituosa em tiragens cada vez maiores, eis que surge a necessidade do questionamento pensado sempre para toda uma coletividade ativa, não de poucos, mas na amplitude da cidadania que se complementa ao papel frágil de letras gravadas com tinta preta. Íntimos interesses do mais profundo dos egoísmos podem surgir ao horizonte apreciado pela maioria. É ai onde se encontra o diferencial de se servir a uma pitada de poucos humanos ou em sua multiplicidade da plenitude territorial.
As causas sociais e o poder da permanência do domínio, a ecologia e a preciosidade da vida, a cultura e sua aproximação com as tradições, as reais necessidades da existência humana, seja de quem assina o jornal, de quem o compra nas bancas, ou de quem nunca o lê, ou não sabe ler sequer uma palavra do jornal, devem ser sempre levado em primeiro plano na esfera de quem faz o frágil papel ficar repleto de textos no dia-a-dia. Olhares que se perdem, e muitas das vezes se confundem em páginas orquestradas com a finalidade de dar suporte individual ao egoísmo.
Como órgão comunicativo de massa, a matéria prima para dar impulso aos questionamentos diários, o Jornal deve se preocupar em defender sempre causas coletivas, mesmo que do outro lado do conflito exista o Senhor da Moeda, o Senhor da Política, o Senhor Dono do Mundo. Tentar equacionar interesses poderá ser até a saída mais satisfatória, de agrado geral, no entanto, deverá impor a melhor saída àquela que estabeleça um vínculo com a eterna, e não utópica, cidadania, com as causas que evidenciam uma união coletiva para com os dilemas que surgem as manhãs.
O Jornal e seus profissionais jamais deverão vender sua alma, sua dignidade, o seu interno pensamento a qualquer proposta, imposta pela economia mundial. Os custos desta prostituição-criminosa nos dias atuais é a descrença nos fundamentos da confiabilidade do veículo que se prostituir, às escuras, às claras. Quando isso acontece os papéis rabiscados do suor perdem seu sentido de existência. Adentram ao mundo de setas e caminhos invertidos pelas bolsas de valores, cofres de piratas, cédulas de pernas e braços decapitados dos sentidos ainda humanos, que regem o mundo. A proposta imposta sairá com um custo muito alto para sociedade, o seu presente, o seu futuro.
A harmonia do vento a levar os grãos das dunas deve contribuir para com o ambiente. No instante, não pode destruir o equilíbrio do meio. Omitir, abafar a notícia ou apenas falar sem o devido cuidado para o debate, para o questionamento profundo do fato, evidencia em erros fatais que ferem o objetivo central dos meios de comunicações – lutar para uma humanidade mais digna, mais justa. É para isso que existem os jornalistas, os jornais, as letras, a tinta e o papel. De que adianta publicar e mudar o foco principal da notícia apenas para se ter o prazer de dizer “– não saiu no Diário, mas saiu no O Povo”. De que adianta sair no O Povo os trechos parciais de um fato imenso, grandioso que é de extremo interesse da comunidade e de um reduzido grupo de envolvidos no fato, mas este reduzido grupo não tem interesse em polemizar o fato em debate público, o Jornal se vê em apenas falar do fato parcialmente, só para se não dizer que ficou abafado, esquecido pela imprensa cearense, o tal fato. Isso quando fala. Muitas das vezes fica esquecido a sete chaves nos porões da injustiça. Não se deve temer grupos econômicos ou políticos grotescos e fortes. Resistimos à ditadura em tempos passados, porque não resistiremos ao tempo onde a informação é rei? Defender interesses mesquinhos de uma elite com panfletagens compradas no Jornal, apenas porque é conhecido de fulano e sicrano, é amigo próximo, familiar, tem ligações financeiras ou tem medo de represarias, de perseguições, de ameaças, torna-se um erro mortal, em dias que a sociedade tem recursos tecnológicos de dar sua própria versão a história do mundo.
Ser um convicto repetidor das feituras da imprensa sulista, e sua meia dúzia de abastados a impor o seu pensar, também não se conduz com os princípios da base humana. Nem mesmo seguir a risco a pauta imposta dos acontecimentos de outras regiões do Brasil. Deve tentar ser pioneiro no registro do tempo, e não seguir modas lançadas de povos esparsos, distintos. Seguir a imprensa mundial e unir aos ideais propostos por contorcionistas do poder, de sempre manter a elite no topo do altar, é pecaminoso e vergonhoso. Tem-se mesmo que se indignar com tudo que não vá de encontro com os princípios da humanidade, porque a coletividade na sua amplitude máxima dos povos é que se deve defender com unhas, almas, dentes e letras.
Nos Jornais, entre eles, O Povo, têm que se privilegiar, sempre, é o povo. Não o que lê todos os dias a diversidade de colunas e cadernos, mas o que nem saber ler. Porque é para eles que os Jornais têm sua real função, poderiam assim, ajudar ainda mais a humanidade. Chegará um dia que mais da metade de um jornal será produzido pelo cidadão-leitor. Espero que este dia da pluralidade, da democracia realmente plena chegue e seja manchete nos Jornais de hoje.
Parabéns O Povo e seus 80 anos, por tentar entrar no caminho da coletividade concreta do mundo.
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Obs.: Foto da primeira página do Jornal O Povo publicado no dia 7 de janeiro de 1928.

By Tiago Viana™ .

Janeiro 9, 2008 - Publicado por tayguara | Uncategorized | , , , , , , , , , , , , , , | Sem comentários ainda

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